terça-feira, 16 de abril de 2013

Residencial Barcelona. - Maciel Group

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sábado, 14 de julho de 2012

Vizinhos que ditam as regras

Localização de imóvel pode representar diferença de até 20% em bem equivalente


Um imóvel nunca é igual a outro, mesmo que tenham metragem, tipologia e arquitetura iguais. A localização e a vizinhança fazem toda a diferença. Por isso, antes de escolher uma nova unidade, é importante olhar ao redor. Alguns dos vizinhos podem ser elementos de valorização. Outros, motivo de preocupação.
 - O entorno interfere sempre. A localização é o que faz o imóvel não ser uma commodity(que se caracteriza pela indiferenciação)- diz o diretor de comercialização e marketing do Sindicato da Habitação de São Paulo, Luiz Fernando Gambi.
Tradicionalmente, equipamentos urbanos como o metrô elevam os preços nas proximidades das estações. Mas o benefício da inauguração das linhas não é universal.
- Todo mundo quer ter fácil acesso, mas nunca ficar colado- diz Luís Mayor, diretor de uma empresa de avaliação imobiliária.
A localização, segundo Mayor, pode representar diferenças de até 20% nos valores de unidades equivalentes em outros aspectos.
- Interfere principalmente na liquidez do imóvel - explica.
Segundo o consultor, a dificuldade para vender ou alugar o bem em função de elementos que afastem o consumidor pode obrigar o proprietário a baixar os preços.
Na avaliação do Presidente do Conselho Regional de Corretores de Imóveis de São Paulo, José Augusto Viana Neto, a proximidade excessiva de alguns estabelecimentos úteis à sociedade - em geral, bem aceitos pelos cidadãos - também pode ser um problema para os proprietários.
- Para qualquer tipo de unidade  residencial, templos religiosos, delegacias de polícia, quartéis, instituições de ensino, oficinas mecânicas, feiras livres e prontos-socorro desvalorizam o bem, se estiverem do lado do imóvel ou atrás dele - afirma.
Os elementos de depreciação ou valorização variam de acordo com o perfil da área e as necessidades locais. Viana explica que a abertura de vias coletoras é muito bem aceita em regiões com padrão mais elevado.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Por que Dilma e Fortunati governam bem

Vou dizer agora qual é a razão para o Fortunati estar fazendo uma boa administração em Porto Alegre.
Porque é uma boa administração.
Provam-no obras sarapintadas pela cidade e, sobretudo, prova-o esse instituto de saúde criado pela prefeitura dias atrás. Não apenas pelo instituto em si, aliás uma ideia inteligente, e mais devido à forma como foi proposto, levado adiante e aprovado. Trata-se de um projeto polêmico, os médicos eram contra, promoveram manifestações e tudo o mais. Fortunati poderia ter se assustado com a reação e adiado a implantação para as calendas gregas. Ou poderia ter tentado buscar o consenso impossível. Ou poderia atirar a decisão para o alto, posar de democrata para iludir a massa ignara e atrás de um plebiscito, como foi feito com o caso do Pontal do Estaleiro Só.
Mas não.
Fortunati tinha convicção e teve determinação. Achava que devia fazer, foi lá e fez. Assumiu a responsabilidade.
É o que se espera de um administrador.
O administrador não pode deixar de agir por medo da crítica. Até porque a crítica é inevitável, principalmente no Rio Grande do Sul. O gaúcho, não é que o gaúcho tenha senso crítico desenvolvido. Não. Em dois séculos de isolamento meridional, o gaúcho desenvolveu a habilidade de ver os pontos negativos em qualquer iniciativa e em qualquer pessoa que toma a iniciativa. Logo, quem faz sempre será criticado por aqui. Logo, a crítica deve ser subestimada. A crítica de quem está sempre criticando tem tanto valor quanto o elogio de quem está sempre elogiando: nenhum.
E a razão do desempenho seguro de Fortunati na prefeitura está sedimentada, precisamente, na crítica. Ou na falta de. Fortunati não teme a crítica, como temia Fogaça, porque Fortunati estava a salvo dela: ele era vice, pouco aparecia, não havia porque criticá-lo. Alçado ao cargo de prefeito, pôde agir com independência. Pegou os maliciosos de surpresa. Eles não estavam reparando nele.
Dilma é beneficiada por fenômeno semelhante. Ela pode tomar as medidas corretas para bem gerir o país porque não tem, como Lula, a pretensão de ser uma liderança popular, venerada pelo povo.
Lula precisava ser populista. Afinal, era olhado com desconfiança quando galgou o poder. Para se fortalecer, fez um governo de concessões, de apadrinhamentos e de generosidades. Inchou o quadro do funcionalismo público, atendeu a interesses da velha oligarquia, gastou à grande. Dilma vai ter que corrigir as distorções. Ela pode fazer isso. Porque, como Fortunati, emergiu das sombras e sabe que só será banhada pela luz se fizer uma administração competente.
Dilma e Fortunati, sustentados por um sólido regime democrático, estão, pelo menos por enquanto, protegidos das deformidades da democracia.

David Coimbra - jornal Zero Hora, 18/02/2011
david.coimbra@zerohora.com.br

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Depois se ve

Chuva. Nada mais ancestral. Muita água, pouca água, não importa: choverá. Em vários períodos do ano, mais forte, mais fraco: choverá. Em São Paulo, Minas, Rio, Florianópolis. E também na Alemanha, na Nova Zelandia, no Peru. Choveu nos anos 40, chove em 2011, choverá em 2068. Passado, presente e futuro sob uma única nuvem. Só que o país do futuro não pensa no futuro. Somos totalmente refratários a prevenção.
Tudo o que nos acontece de ruim provoca uma chiadeira, vira escandalo nacional - mas depois. Ficamos estarrecidos, mas depois. O antes é um período de tempo que não existe. Investir dinheiro para evitar o que ainda não aconteceu nos soa como panaquice. Se está tudo bem até as 14h30min desta quarta-feira, por que acreditar que as 14h31min tudo pode mudar? E então não se investe em hospitais até que alguém morra no corredor, não se policia uma rua até que duas adolescentes sejam estupradas, não se contrata salva-vidas até que meia dúzia morra afogada. Somos os reis em tapar buracos, os bambambans em varrer para debaixo do tapete, os retardatários de todas as corridas rumo ao desenvolvimento. Não prevemos nada. Adoramos os astrólogos, mas odiamos pesquisa. Consideramos estupidez gastar dinheiro com tragédias que ainda estão em perspectiva. Só o erro consolidado retém nossa atenção.
A gente se entope de açúcar, não usa fio dental e depois vai tratar a cárie, se sentindo privilegiado por poder pagar um dentista. A gente fuma tres maços de cigarro por dia e depois processa a industria tabagista. A  gente corre na estrada a 140 km/h, ultrapassa em faixa contínua e depois suborna o guarda, na melhor das hipóteses. Ou então morre, ou mata - na pior delas.
A gente vota em corrupto, depois desdenha da política em mesa de bar. A gente joga lixo no cordão da calçada, depois se surpreende com a rua alagada. A gente se expõe em todas as redes sociais, depois esbraveja contra os que invadiram nossa privacidade.
Precisamos de transporte público de qualidade, mas só depois de sediar a Copa do Mundo. A sociedade reclama por profissionais mais gabaritados, mas ninguém investe em professores e em universidades. E os donos de estabelecimentos comerciais só irão se dar conta de que estão perdendo dinheiro quando descobrirem os manés que contrataram para atender seus clientes. Treinamento antes, não. Se precisar mesmo, depois.
Precisamos mesmo. Só que antes.

Martha Medeiros - Jornal Zero Hora, 26/01/2011
marthamedeiros@terra.com.br

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

O que posso fazer pela minha cidade?

Em plena década de 1960, quando os EUA estavam dando um novo salto de desenvolvimento, o então presidente John Kennedy provocava o povo americano com a seguinte questão: "Não pergunte o que o país pode fazer por voce. Pergunte o que voce pode fazer pelo país". Atualizando e parafraseando a questão do grande presidente americano, acredito que a pergunta que devemos fazer é a seguinte: "Pergunte o que a sua cidade pode fazer por voce. E pergunte o que voce pode fazer pela sua cidade".
É absolutamente legítimo e natural que todos desejem que a sua cidade lhes proporcione a melhor qualidade de vida possível. Todos pagam seus impostos, escolhem seus vereadores e prefeito e desejam ter uma contrapartida adequada no que diz respeito `a prestação de serviços nas áreas da saúde, educação, transporte público, saneamento básico e assim por diante. Deste modo, é absolutamente necessário que o cidadão esteja vigilante, cobrando tudo aquilo que entende que a cidade deve lhe oportunizar para melhorar o seu cotidiano.
O grande problema é que, de modo gradativo, estamos nos esquecendo de indagar "o que podemos fazer pela nossa cidade?". Felizmente, Porto Alegre é uma metrópole onde a participação democrática da população é um verdadeiro exemplo para o mundo. São milhares de pessoas que participam ativamente do Orçamento Participativo, das associações comunitárias, dos Conselhos Municipais da Criança, das Mulheres, da Saúde, da Assistencia Social etc.
Mas o outro lado da moeda tem demonstrado que ainda existe uma parcela significativa da nossa população que desconhece os direitos e interesses coletivos. Ou seja, desejam usufruir(legitimamente) de todas as benesses oferecidas pela cidade, mas não estão preocupados em dar uma parcela da sua colaboração para torná-la ainda melhor. Basta andar pela cidade e perceber quantos indivíduos jogam lixo no chão, quantos monumentos encontram-se pichados, quantas paradas de onibus foram depredadas, quantas lixeiras foram quebradas, quantos motoristas deixam de cumprir com a sinalização de transito, quantas árvores foram quebradas na via pública, quantos não conservam a calçada defronte ao seu prédio, e assim por diante. E isso não ocorre somente na Capital e nem tampouco é exclusividade das grandes metrópoles.
Imediatamente, todos reclamam, de forma legítima, que (a cidade, por meio do) o poder público tome as devidas providencias para sanar o problema. Acabamos esquecendo, porém, de que tudo isso vai sair dos nossos próprios bolsos e que o município terá que investir, na recuperação, coleta e campanhas de esclarecimento, recursos que poderiam estar sendo mais bem alocados para politicas sociais de inclusão de quem mais necessita do apoio.
Como prefeito, assumo totalmente a responsabilidade que a prefeitura possui para dar as melhores condições possíveis a população. E quero continuar aperfeiçoando os serviços públicos. Mas enfatizo o questionamento: o caro cidadão e leitor está dando a sua contribuição para melhorar a nossa cidade?

JOSÉ FORTUNATI - Prefeito de Porto Alegre, Jornal Zero Hora, Artigos, 19/01/2011

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Homens Bons

Houve uma época em que fazer uma tatuagem era um ato de rebeldia e despertava preconceitos. Mas isto foi no tempo da pureza e da desinformação, quando a gente não estava a par de outros motivos para se assustar. Hoje sabemos que bandidos podem usar terno e gravata, que bandidas podem ser mães de bebes e que uma tatuagem não estigmatiza ninguém, é apenas uma forma de expressão, um recurso para não se deixar globalizar nesse mundo onde todos se parecem e tudo é descartável. Minhas duas filhas possuem tatuagem e não consta que sejam menos confiáveis do que jovens que mantém a pele imaculada. Caso elas tivessem idade e preparo físico para ser salva-vidas, estou certa de que prestariam um serviço da melhor qualidade. No entanto, elas tem idade e preparo físico para serem vítimas de afogamento, como qualquer um de nós. Eu não ficaria nem um pouco aborrecida se um voluntário com um dragão  desenhado no bíceps as tirasse do mar a tempo de elas não constarem das estatísticas absurdas das fatalidades deste verão 2011. Ao contrário: eu é que talvez elevasse o número de tatuados. Pelo menos a inicial desse super-heroi eu levaria pra sempre no meu tornozelo direito.

Martha Medeiros, Jornal Zero Hora, 19/01/2011